quarta-feira, 7 de novembro de 1990

Colapso_______________________________Jeferson Raup

Procurei os cigarros com a luz bruxuleante
De uma t.v. mal sintonizada no jornal
Sinto-me solitário hoje e sem alcalóide
Meus amigos devem estar em algum canto de babel
Não deveria me sentir assim hoje
Mas a fogueira das vaidades te transforma
A musicas das ruas te chama e te surpreende
Estava limpo fazia duas semanas
E quando o perfume de sujeira lhe atrai
Dez Reais é o suficiente na floresta.

Trancafiado em minha própria fobia
Garotas bonitas lhe dizendo este é o paraíso
Todas as luzes e sons são mágicos em minha utopia
Dinheiro entra e sai com doses fortes de absinto
E você não conhece mais ninguém neste lugar
Em uma Osvaldo Aranha perdida na esquina
Amigos lhe oferecendo amigos para viajar
E sem dinheiro você compra a garota com anilina
Quer se divertir a floresta de concreto é o lugar.
Um passo para um colapso
Um olhar e você já esta armado
Observando aquele casal de namorados
Meu amigo, bem vindo à floresta de concreto.

Eu, eu sucumbi a sua rotineira loucura!
E todos os caminhos levam a Porto
Saído de uma cidadezinha de alma pura
Para chorar por uma dançarina em um canto escuro
Quantas vezes acreditamos nos sonhos
Mas falta alguém para te guiar
Os sonho são barrados por muros
Na cidade dos corações partidos não a lugar
Amanhã a noite começa a loucura de novo
Ou você se acostuma ou tem um colapso
Mas de alguma forma ela acaba lhe matando aos poucos
Às vezes um café em um bar ajuda no lapso
Todos os carros com seus motores roucos
E seu apartamento é um abrigo
Quando remédios ajudam a esquecer
O fim de alguém esta perto
Mas amigo, você esqueceu de viver.

Jeferson Raupp